Aumentei minha assertividade e autoestima graças à COVID-19

Por: M.J.

O que em princípio eram apenas notícias distantes que, segundo os especialistas, jamais iriam além do pequeno contágio de uns poucos, e seriam totalmente controláveis, não era nada disso – e pouco a pouco na Espanha, e no resto do mundo, vimos como o que só ia ser uma notícia passageira nas manchetes, passa a ser uma verdadeira emergência sanitária, com um risco para o sistema público de saúde que trancou a todos em nossas casas para evitar o contágio. Quase um ano se passou e continuamos a viver a mesma história surreal.

Minha cabeça durante este último ano nunca descartou a possibilidade de ser infectada pela maldita COVID-19, e do receio e responsabilidade de infectar entes queridos (no meu caso meus pais, que são especialmente sensíveis e estão em risco, devido a numerosas doenças). Minha vida sempre foi simples e descontraída – não fui treinada para lidar com uma pandemia. Sensação constante de riscos, medos e angústias à espreita, que a princípio exigia medicação com ansiolíticos para poder enfrentá-las.

Aos poucos fui percebendo a importância de ter montado um manual de crise, ou um protocolo de prevenção de riscos nessa fase. Adotei rotinas que favoreciam minha tranquilidade, identifiquei o que era mais difícil para mim e trabalhei nisso.

Um dos itens trabalhados foi a assertividade: aprender a dizer não a todos que questionavam minhas decisões de não comparecer a eventos sociais, ou que me chamavam de exagerada. Aumentei minha autoestima sendo consistente com meus valores, apesar das diferentes visões do meu círculo social, e também sobre a vergonha que sentia ao ser julgada, especialmente nos dias em que ia para o trabalho ou para o hospital com um shield e uma máscara de proteção dupla, percebendo que todos olhavam para mim.

Um ano depois, e eu ainda tenho o mesmo medo do contágio, pois tudo já está se tornando insuportável. Continuo trabalhando com atendimento presencial, ainda fico ansiosa para ir ao supermercado e não me sinto confortável tomando chá sentada em um espaço público. No entanto, sinto que evoluí como pessoa, pois não preciso de nenhum ansiolítico, exceto em ocasiões excepcionais, e me sinto mais autêntica, corajosa, livre e coerente com meus próprios valores.

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