Um burnout me fez começar uma nova vida

Por: Pascale Caron (France)

Sempre acreditei que eu era invencível e que a depressão, o colapso não iria passar perto de mim. Minhas tias, minha mãe, aquelas “donas de casa desesperadas”, haviam falecido. Tudo aquilo não podia acontecer comigo: eu estudei, lutei por um bom trabalho, pratiquei esportes mais do que o normal, tive dois filhos maravilhosos – que logo vão terminar os estudos – e um marido do qual me orgulho. Eu tenho viajado o mundo pelo meu trabalho e para me divertir, muito. Trabalhei demais, incansavelmente. Eu me refugiei no esporte, à noite, tarde – muito tarde.

E, no dia 31 de agosto de 2017, tudo parou: “Você não vai mais fazer parte da equipe de gestão porque você é muito divisionista, muito excessiva, muito tudo…”. Eu, a quem meus colegas costumavam chamar de Mulher Maravilha, desmaiei de repente. Demorou um mês e meio para explodir: enquanto isso, continuei trabalhando.

Em 18 de outubro de 2017, a sentença foi dada: síndrome de burnout, atestado médico, funções supra-renais mortas, bateria acabada. Foram 5 meses em que a noite era um pesadelo terrível. Impossível de dormir…

A primeira pessoa a me ajudar foi uma praticante de hipnose. Ela me permite esquecer e curar a minha ferida. A síndrome de burnout costuma acontecer com pessoas apaixonadas que levam o seu trabalho muito a sério. Eu me identifico, pois sempre coloquei paixão em tudo que faço.

Depois de 3 meses, ela me aconselhou a sair do meu trabalho, depois de 27 anos de serviço bom e lealdade… se eu voltasse lá, em um segundo eu poderia sofrer um esgotamento mais grave. Decidi arriscar e, no dia 31 de janeiro de 2018, saí do serviço que tanto me alegrou e acabou por me causar um infortúnio.

“Temos duas vidas. A segunda começa quando você percebe que só tem uma”, Confúcio.

E minha segunda vida começou. Levei 9 meses para me recuperar, o tempo de um renascimento. Tive de encontrar um novo propósito, pois o meu trabalho era a maior parte dele. Eu tive que me desintoxicar do trabalho anterior. Eu investi em uma startup, ganhei prêmios em grandes concursos (uma competição de startups em um ringue em setembro de 2018!), doando o meu tempo em ações pro bono…

Depois de quase 4 anos, não me arrependo de nada. Mudei minha forma de trabalhar, pratico yoga, ouço o meu corpo quando me sinto muito estressada. Na área profissional, criei uma empresa de consultoria, mas acredite, embora eu conheça muitas empresas, não é tão fácil ser conhecida.

Tive que encontrar um novo propósito: associei-me a um médico e criamos uma empresa Nutracêutica em Neurologia. Lançaremos nossos suplementos alimentares em janeiro de 2022, exatamente 4 anos depois. Nossa missão é ajudar as pessoas a reduzir o consumo de neurolépticos. Eu os manterei informados! 😉

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