Como ajudar um amigo que tenha câncer?

Por: Maise (España)

Parece que tudo sempre acontece da mesma maneira: é um dia aparentemente normal e então você recebe uma notícia inesperada e angustiante que a deixa completamente chocada, de difícil assimilação.

Foi assim, voltando para casa tranquila, após assistir a uma peça de teatro com a minha família, me sentindo feliz e em paz, quando, de repente, recebi uma mensagem pelo WhatsApp: “Uma coisa horrível aconteceu… Descobriram que eu tenho um tumor.”

Cheguei em casa e não conseguia parar de pensar no que deveria fazer, quais ações seriam apropriadas, quais não seriam, o que eu deveria perguntar ou o que dizer, sem incomodar a minha amiga e poder ajudá-la de fato. Eu não podia acreditar. Tentei sentir empatia por ela, embora soubesse que não conseguiria imaginar como ela se sentia, quais eram os seus e suas necessidades. Fiquei agoniada.

Aos poucos, aprendi com ela que o melhor a fazer é me comportar normalmente. Percebi que quem poderia me guiar melhor nesta nova parte de nossas vidas seria ela. Descobri que mesmo que às vezes eu não agisse da maneira que ela esperava que o agisse (já que não consigo ler pensamentos alheios), ela sabia quem eu era, e que entenderia as minhas boas intenções… e sorria para mim.

Eu senti que ficamos cada vez mais próximas e que nossa amizade se fortalecia à medida que passávamos por novas aventuras e pesquisas nessa nova jornada de superação dessa enorme batalha da vida:

Visualizávamos que o melhor ainda estava por vir enquanto levamos a filha dela para aprender a voar em um túnel de vento em seu 10º aniversário.

Descobri que ela era mais bonita careca do que com cabelo, e era o que eu dizia (pois realmente achava isso) enquanto olhávamos no espelho e víamos seus longos cabelos caírem.

Procuramos chapéus fofos e a peruca que melhor se encaixassem no estilo dela e a deixassem mais confortável.

Me acostumei a abrir os armários da casa, enquanto ela fazia tratamento, como se estivesse na minha própria casa, para poder ser útil e prática ao ajudá-la.

Tivemos longas conversas e aprendemos a perguntar uma à outra sobre como nos sentíamos e, às vezes, eu ficava apenas sentada enquanto ela cochilava no sofá.

Eu ria ao ver que ela não perdia seu lado glamoroso quando voltava do tratamento usando uma bolsa da moda que era pesada demais para ela carregar.

Descobrimos muitas coisas novas, palestras do TED, meditação, lanches alternativos saudáveis (e que facilitavam a ingestão durante o seu tratamento).

E sempre tentando trazer humor e muito amor para nossas interações.

Aprendi que a melhor maneira de ajudar um ente querido que tenha câncer é simplesmente fazer companhia. Você não pode curá-los, então você só pode acompanhá-los. E você percebe que, ao estar com eles, você aprende muita coisa: novas experiências, autodescoberta e uma nova compreensão da amizade verdadeira.

Hoje, dois anos depois de receber aquela notícia terrível via WhatsApp, e de ter que incluir a palavra câncer em nossas conversas, nossa amizade está mais forte do que antes.

Faça companhia. Esteja presente.

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