O divórcio e a bulimia foram o ponto de partida para uma nova vida que me faz feliz

Por: Lindsay Shack

Eu cresci na cidade de Nova York. Fiz todas as coisas certas (para os padrões da sociedade): frequentei uma escola particular, fiz dieta e me exercitei bastante, pintei o cabelo, fiz dieta e me exercitei bastante, alisei o cabelo, tentei ao máximo não incomodar ninguém, fiz todas as coisas legais para me sentir incluída, fiz dieta e me exercitei bastante, me esforcei para ir para uma faculdade bem conceituada (lutei para encontrar o meu caminho), fiz dieta e me exercitei bastante, percorri uma temporada no mundo corporativo, me casei antes dos 30 anos, comprei uma casa também antes dos 30, tentei começar uma família logo em seguida, pois achava que eu estava ficando para trás, e fiz dieta e me exercitei um pouco mais…

Nada disso me deixou feliz. Nada disso me fez amar a mim mesma, e muito menos deixar com quem alguém gostasse de mim. Pelo contrário: eu me sentia perdida, frustrada e derrotada.

O que percebi é que às vezes as coisas que você pensa que deseja são exatamente as coisas que o impedem de descobrir o que o seu coração realmente deseja. Então a vida acaba decidindo por você…

Para mim, isso foi em 3 de dezembro de 2016. Aos 33 anos, esse foi o dia em que pensei que a minha vida havia acabado. Depois de passar por 3 abortos espontâneos e 3 cirurgias relacionadas à fertilidade no último ano e meio, aquele dia foi o começo do fim do que eu “pensava” ser o meu casamento “feliz”. Nunca percebi meu divórcio chegando.

O que se seguiu foi uma dor extrema, exaustão, sentimento de perda, mudança e a destruição de um sonho: como eu pensava que a minha vida deveria ser. A ideia de recomeçar aos 33 anos era assustadora, então pensei que a minha vida havia acabado. Eu não tinha confiança, nem esperança, o meu coração estava partido e a minha autoestima estava despedaçada.

Eu não tinha ideia de como deveria gostar de mim mesma, muito menos me amar. Durante a maior parte da minha vida, vinculei minha autoestima à forma como me sentia em relação ao meu corpo. Como você pode imaginar, ser deixada pelo marido não ajuda em nada. Comecei a me voltar para a comida porque me sentia MUITO sozinha, insegura e inquieta. E então comecei a purgar.

Às vezes, isso era tudo em que eu conseguia pensar durante o dia. Eu mal podia esperar por aquele instante; eu ansiava pela libertação que isso me trazia. Eu anestesiava meus sentimentos com a comida, minha droga preferida, o que é tão complicado porque, bem, você tem que comer. E a comida estava ao meu redor em todos os lugares.

Eu ficava ansiosa em saber quais alimentos eu iria comer para não me preocupar em comê-los, pois eu iria “cuidar disso” logo em seguida. No começo, a palavra “bulímica” nem passava pela minha cabeça. Quer dizer: não poderia ser isso, se isso só acontecia uma vez ou outra, certo?! Errado. Eu tinha um problema. Eu tive bulimia. E eu tinha muita vergonha disso.

Por algum milagre, tive a capacidade de saber que merecia mais, que o meu corpo merecia ser melhor tratado. Em dezembro de 2017, cerca de 1 ano depois que todo o meu mundo virou de cabeça para baixo, eu decidi que 2018 seria diferente, poxa! Diferente da forma como tratei e respeitei o meu corpo.

A graça, o amor e a compaixão deveriam ser permitidos se eu estivesse tendo um dia ruim, e eu não puniria a minha saúde por isso. Isso significava que, se eu comesse demais, tudo bem. Eu não merecia me chamar de gorda, ou fracassada, ou mal-amada, ou repugnante etc., etc., etc.

Comecei a me abrir e contar sobre a minha história e as minhas lutas e encontrei consolo em me conectar com outras pessoas e com a comunidade, incluindo sessões regulares de terapia e de “terapia de movimento” – também conhecida como meus preciosos exercícios. O condicionamento físico tem sido minha graça salvadora e também o considero uma forma de terapia.

Hoje posso dizer com segurança que *sou suficiente*, *sou digna*, *me amo* – como um trabalho em progresso. Sempre fui e sempre serei. Todos nós somos. E não confie em ninguém que diga o contrário!

Parte disso é o que dizem ser verdade: você não fica feliz QUANDO chega ao seu destino. Você aprende a ser feliz ao longo do caminho PARA QUE VOCÊ POSSA chegar ao seu destino.

Agora sei que mereço tudo o que meu coração deseja. Não por causa da minha aparência, ou porque acho que já fiz o suficiente no meu dia, ou por causa do que outra pessoa pensa de mim. Só porque sou eu. E eu sei que posso conseguir. E eu acredito que você pode, também.

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