Lidando com a perda súbita de um pai

Por: S.S. (España)

Eu tinha acabado de completar 14 anos quando, no dia 19 de fevereiro, perdi meu pai de uma forma tão repentina que é difícil descrever. Na véspera da sua morte, me lembro de ter preparado com ele as fantasias para o carnaval e de ter assistido, pela última vez ao seu lado, um programa de comédia na TV. Não terminei o episódio porque adormeci. Se eu soubesse o que iria acontecer, teria feito questão de terminar (que ideia boba!) e passar o máximo de tempo possível com ele!

Naquele dia 19 de fevereiro, meu pai fez seu primeiro e último voo de avião, depois de ter sido promovido no trabalho. Como tenho 3 irmãos, tínhamos acabado de nos mudar para uma casa maior e, olhando para trás, percebo que meus pais viram aquela promoção como uma oportunidade para todos nós… E sei, agora, que foi uma oportunidade para todos nós, exceto para ele. Embora o verdadeiro herói desta história seja a minha mãe, que ficou sozinha com 4 filhos, entre 6 e 17 anos de idade. Mas essa é a história dela.

A maneira como superamos essa perda foi com o apoio dos amigos e familiares dos meus pais. Havia muitas tias e tios, além de primos, que não nos deixavam em paz em nenhum momento.

O Natal, o Réveillon e o Dia dos Reis foram estranhos nos anos seguintes, assim como os aniversários. Mas, o que era bom é que, repentinamente, alguém buzinava à nossa porta, parando por “coincidência” naquela hora para jantar conosco, ou senão tias que dormiriam em nossa casa por dias a fio, até que se assegurassem de que havíamos começado a aceitar a nova situação.

Foi exatamente isso que fizemos para enfrentar a perda do meu pai: aceitamos a situação e passamos a viver em uma nova circunstância, substituindo os abraços e beijos do nosso pai pelos de amigos e familiares, e sempre sabendo que tínhamos a oportunidade de “falar” com o meu pai ou “vê-lo” em ocasiões especiais, como quando meu irmão me levou até o altar no meu casamento, ou quando me formei na faculdade.

Quando surge o pensamento de que algo não é justo na minha vida, sempre me imagino o seguinte: somos sortudos por ainda estarmos vivos, pois assim podemos fazer muitas coisas e ajudar aos outros! Além disso, ter experimentado algo tão traumático me ensinou a minimizar os desafios da vida que não podemos controlar ou evitar.

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