Lutando para conceber apesar da SOP

Por: Annibel Tejada (U.S.A.)

O TK e eu estávamos tentando engravidar fazia 2 anos. Nunca pensei em ter filhos até conhecê-lo. Lembro-me da nossa primeira conversa sobre este assunto; estávamos em um clube e ele me pediu para morar com ele. Eu disse brincando: “e ter 3 filhos?” Ele respondeu: “claro que podemos ter 3 filhos”.

Depois de tentar engravidar por 16 meses sem sucesso, decidi visitar um endocrinologista e obstetra. Vários exames de sangue e exames físicos confirmaram que eu tinha a Síndrome dos Ovários Policísticos (SOP) e, na época, níveis elevados de prolactina. Enquanto eles explicavam qual era o diagnóstico, eu não conseguia me concentrar.

No trem de volta para casa, eu estava no meu iPhone procurando qualquer coisa que me viesse à mente, pois durante as consultas médicas eu não conseguia fazer perguntas. Fiz uma pesquisa no Google sobre a SOP. Vi como o Google pode ser uma bênção e uma maldição. A maioria das respostas era negativa. Esse momento da minha vida foi doloroso. Amigos e familiares estavam tendo bebês e, enquanto estava feliz por eles, sentia ansiedade, medo, incerteza e vergonha. Muitas pessoas estavam perguntando quando o TK e eu teríamos um bebê. Esses comentários eram dolorosos e eu sabia que não poderia me afogar nessa dor. Daí decidi me juntar a um grupo online de mulheres passando por infertilidade devido à SOP, e pela primeira vez, tive esperança.

Sempre que um mês se passava e o teste de gravidez dava negativo, eu ficava ansiosa ou frustrada por não engravidar. Naqueles momentos, eu internalizava esse distúrbio médico: “Eu não sou o suficiente?”; “Por que meu corpo continua me decepcionando?”. Enquanto trabalhava com meus médicos para regular meu ciclo menstrual, comecei a me exercitar, praticar yoga 5 vezes por semana, beber mais água e me alimentar de maneira mais saudável. Comecei a meditar e a escrever em um diário. A infertilidade foi a força motriz para me tornar uma pessoa melhor de dentro para fora, para os meus futuros filhos. Desenvolvi habilidades de coragem, resiliência e assertividade que eu não sabia que possuía.

Mudar hábitos alimentares e tomar suplementos que faltavam no meu corpo era tudo que eu precisava para regular a menstruação. Mas, mesmo depois dessas mudanças, os testes de gravidez ainda davam negativos todo mês.

Depois de tentar engravidar por tanto tempo, fiquei animada e nervosa por ver um Endocrinologista Reprodutivo. Enquanto decidíamos procurar ajuda profissional, tornei-me intencional quanto à minha saúde mental. Fazer um diário, meditar, comer de forma saudável, praticar yoga/exercícios me davam uma sensação deliciosa para o meu corpo e mente. Mas, por algum motivo, faltava algo mais.

Foi aí que aprendi sobre afirmações/intenções. Durante os ciclos de tratamento de fertilidade, criei uma nova afirmação: “Estou onde eu deveria estar e eu posso superar isso.” Essa minha prática/hábitos de autocuidado e minha comunidade prepararam a minha mente e o meu corpo para conceber.

Essa jornada me ensinou a beleza da dualidade. Eu experimentei alegria e dor, vulnerabilidade e resiliência, coragem e medo. E, ao final, tive a bênção de ter trigêmeos!

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