Minha filha autista mudou meu modo de ver o mundo

Por: Hugo Sanmartín

Ao descobrir que tem uma filha autista, você se sente perdido. Claro que é um choque e você não tem ideia de como vai lidar com a situação, passa noites sem dormir preocupado com o bem-estar da sua princesa e tem medo de que as pessoas sejam cruéis com ela e que as outras crianças irão rejeitá-la.

Mas você não pode permitir que isso o paralise, mesmo que se sinta oprimido. Torne-se ativo e busque informações! É fundamental ir ao pediatra e especialistas. Consulte outros profissionais para uma segunda ou até terceira opinião. Pesquise exaustivamente e não fique com nenhuma dúvida. Eles serão capazes de explicar os passos que você deve seguir para inverter o atraso de maturidade.

Descobri que é fundamental trabalhar os exercícios de forma rigorosa para que haja um impacto diário, além de dar a ela uma rotina que elimine as incertezas, pois isso permite que, aos poucos, ela se abra e se sinta segura.

O confinamento devido a COVID-19 foi maravilhoso para minha filha Hera, pois eliminou muitas mudanças diárias em sua vida e isso reforçou seu senso de certeza e, deste modo, ela pôde passar muito mais tempo com o seu círculo de pessoas mais próximo, incluindo seus irmãos. Ela gostou muito de brincar e ser a criança carinhosa e amorosa que é.

A Hera mudou o modo que eu vejo o mundo. Ela é gentil e meiga, e eu realmente acredito que o autismo é a evolução da sociedade. Ela tem um potencial tremendo, memória fotográfica e a habilidade de perceber rapidamente o ambiente e observar tudo em um relance. Ela realmente não é introvertida, e quando se sente confiante pode ser atrevida e saber procurar o que deseja.

No entanto, a sociedade não está preparada para o autismo e, para evitar conflitos, as pessoas relutam contra isso. Fala-se muito de inclusão e adaptação, mas por que não nos adaptamos a eles? Temos que entender que o autismo é normal para as pessoas aceitá-lo como tal.

E é por isso que gosto de falar publicamente sobre a Hera: para normalizar o autismo e erradicar o estigma sobre dele; para que as pessoas não sintam a necessidade de esconder que têm um filho com autismo; para que todos estejamos conscientes de que eles são uma parte importante da nossa sociedade, que vieram para nos ensinar muitas coisas e que não devemos perder a oportunidade de fazer parte das suas vidas.

 

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