Recuperando-me da Síndrome de Burnout

Por: Claire Rogers (Reino Unido)

Não reconheci os sintomas da síndrome de burnout até que me vi sofrendo daquele primeiro ataque de pânico. Antes eu projetava uma imagem de confiança e força para os meus colegas, diretores, equipe e clientes; no entanto, eu parecia um pato – liso e calmo na superfície, mas sempre batendo os pés freneticamente abaixo da superfície. Na época eu trabalhava para uma das 100 melhores empresas americanas, conforme a revista Fortune, e, como muitos indivíduos na sociedade de hoje, operava em um ambiente global que acomodava vários fusos horários, o que me levou a “estar sempre ligado” – ou seja, ficava disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Além disso, a reestruturação constante equivalia ao aumento das horas e cargas de trabalho insustentáveis, o que me fez deixar de ser um perfeccionista ambicioso e de alto desempenho para me tornar um líder altamente estressado, esgotado e sobrecarregado.

E meu burnout aconteceu em um piscar de olhos. Eu não esperava. Foi em uma manhã de sábado: estava cinza lá fora e eu estava exausto. Não conseguia acordar e sentia como se estivesse com o jet lag -atordoado e confuso. Tive que me recompor e ir para a festa de aniversário dos meus sobrinhos de 5 anos com meu marido. Não queria ir, mas não tinha escolha.

Entrei na câmara municipal sombria que fica há uma hora de Londres, onde fui recebido por 15 crianças hiperativas, correndo pra lá e pra cá com suas pistolas de nerf. Eu estava bem-vestida e fiz minha parte: coloquei um grande sorriso no rosto e trouxe à tona minha personalidade extrovertida. Mas por dentro algo estava errado. Eu pude sentir isso. Não sabia o que era, mas algo estava errado. E esse sentimento estranho estava me deixando realmente nervosa. Apesar disso, consegui me controlar, e engajei em conversas com os pais das crianças.

Algumas horas depois, finalmente pudemos escapar. Graças a Deus! Meu marido e eu dirigimos para casa quando, então, aconteceu. Falávamos sobre coisas aleatórias, nada muito sério. Quando, de repente, senti como se alguém tivesse colocado um elástico apertado em volta do meu peito e aos poucos estivesse espremendo a vida para fora de mim. Meus braços e pernas começaram a ficar dormentes. Minhas mãos e pés começaram a formigar com alfinetadas e agulhadas. Comecei a hiperventilar. Não conseguia respirar. Tentei freneticamente puxar o ar para dentro. Olhei para o meu peito e podia literalmente ver meu coração batendo forte e frenético. Meu corpo e minha mente estavam devastados por uma sensação de terror avassaladora e alucinante.

Já havia sentido medo antes, mas este foi um medo de outro mundo.

Oh meu Deus. Vou morrer.

Vou morrer aqui mesmo neste carro. Eu não quero morrer. Ainda quero fazer muitas coisas.

Senti um clique na cabeça. Algo dentro de mim me dizia que eu estava tendo um ataque de pânico. Eu não sei como eu sei. Eu só sei. Saber não torna isso mais fácil. Ainda me sinto devastada por sentimentos avassaladores de terror. E o terror dura cerca de 30 minutos.

Quando chegamos em casa, me sentia destroçada e frágil. Não conseguia melhorar. Aquela garota tenaz, resiliente e apaixonada que eu costumava ser se foi. Ela saiu do prédio e não voltou. Não conseguia encontrá-la. Não adiantava cavar fundo para trazê-la de volta; ela se foi.

Ela partiu por 18 meses. Em seu lugar surgiu uma pessoa. E ela está apavorada. Todos os dias eu acordo apavorada. Tremo incontrolavelmente. Meu coração bate forte constantemente. Meu corpo e minha mente vivem inundados por sentimentos avassaladores de medo. Vivo perpetuamente apavorada em pensar quando será o próximo ataque de pânico. E por causa disso tenho medo do próprio medo em si. Deixo de ser uma garota que viajou pelo mundo para me tornar uma pessoa que tem medo de entrar na Starbucks por medo de não conseguir abrir minha boca para falar, e por medo de desmaiar em um ataque de pânico bem no meio da cafeteria.

Além do meu marido e da minha mãe, não contava a ninguém o que estava acontecendo por vergonha. Eu estava envergonhada. Pensei que estivesse fraca e que seria demitida. Achei que fosse só eu.

Assim escondia o mundo infernal em que vivia. Emocionalmente, estava com dor. Mentalmente, deprimida. Espiritualmente, estressada. No entanto, fisicamente, sorrindo. Vestia e fazia o meu papel. Mereço um prêmio de melhor atriz por isso.

O primeiro ataque de pânico levou a mais ataques de pânico que eventualmente me levaram a afundar em meu próprio mundo infernal – medo crônico, ansiedade e depressão, que durou 18 meses.

Até que, finalmente, consegui recuperar minha saúde mental me submetendo a uma terapia intensa própria. Ou seja, eu não consultei nenhum terapeuta, mas me submeti à minha própria terapia individual.

Retirei, separei e dissequei cada momento da minha vida e fui para aqueles lugares sombrios da minha mente que não queria ir. Iluminei todas as trevas, toda a tristeza, todo o medo que eu havia acumulado ao longo da minha vida – traumas que anteriormente havia escolhido ignorar, e observei minhas próprias crenças limitantes e comportamentos de autossabotagem. Reavaliei também o meu desejo de subir na escada corporativa.

Li centenas de livros sobre autoajuda, desenvolvimento pessoal, neurociência, filosofia, mentalidade, negócios, sucesso na espiritualidade e tudo mais. Fiz cursos e estudei. Meu ego já estava esmagado pela ansiedade e depressão, então eu era uma esponja. Absorvi todo o conhecimento e o apliquei e o dominei. Por fim, com o tempo, me reconstruí para ser uma pessoa nova e melhor, e, ao fazer isso, os ataques de pânico, ansiedade e depressão foram embora.

Minha recomendação para quem está passando por ataques de pânico, ansiedade ou depressão é pedir ajuda. Eu não pedi e, com isso, tornei as coisas mais difíceis para mim. Também recomendo fazer terapia – com alguém ou sozinho, como eu fiz. Analisar e dissecar nossa vida, comportamentos e crenças é extremamente catártico. E, embora seja difícil mergulhar na nossa escuridão, vale a pena, pois ao final você encontrará a luz, o que faz com que tudo valha a pena.

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