Superado o câncer de mama e de útero, e o melhor ainda está por vir

Por: Claudia Pacquola

Essa história começa há 27 anos, quando certa noite cruzei os braços e senti um caroço no seio esquerdo. Desde muito jovem sempre fiz check-ups médicos, já que a minha mãe era voluntária da LALCEC (Liga Argentina de Lucha Contra el Cáncer). A partir daquele momento, comecei com as mamografias e ultrassonografias, que foram seguidas de duas cirurgias: uma para retirada do tumor e outra para retirada dos gânglios linfáticos. Teve cancer de mama.

Aí eu fiz quimioterapia e radioterapia, e no meio de toda essa angústia, medos e tratamentos, estavam minhas três filhinhas de apenas 6, 4 e 3 anos, que não entendiam por que a mamãe não podia ficar com elas ou acompanhá-las até a escola ou outras atividades.

Fiz 13 anos de check-ups, com receios a cada consulta médica, mas com a esperança de que depois de dez anos a doença estivesse erradicada. Mas aquele fantasma chamado Câncer apareceu novamente. Era um fantasma muito real.

Mais uma vez, exame após exame, e uma grande decisão seria tomada por consenso com o meu mastologista e com o meu terapeuta e psiquiatra, com quem eu havia iniciado minha terapia um ano antes. Foi indicada a dupla mastectomia. Aí coloquei meu corpo novamente

Havia apenas um único objetivo: VIVER.

Eu não poderia deixar minhas filhas sem a mãe delas. Não era justo com elas, e eu queria estar lá para vê-las crescer, se tornarem adultas, abraçá-las e amá-las.

Os tratamentos começaram e desta vez com medicamentos que muitas vezes trazem efeitos colaterais: podem levar à endometriose que evoluiu para um câncer uterino. E eu não pude acreditar. Novamente.

Mas, ao contrário das outras vezes, eu estava em uma posição melhor emocionalmente, mais autoconfiante, mais capacitada para tomar decisões e com o suporte das minhas filhas adolescentes e do meu novo parceiro.

Ao trabalhar em mim mesma durante as terapias, eu já havia experimentado muitas emoções nessa minha jornada. Mas lá estava eu, com uma histerectomia total realizada recentemente.

Eles me perguntaram se eu me sentia menos mulher, e respondi que pelo contrário, que todas essas cirurgias e cicatrizes me fizeram a mulher que sou hoje: mais autoconfiante, com o propósito de poder ajudar os outros a superar situações traumáticas com base na experiência da minha vida…

Aí surgiu a ideia de escrever minha própria história sobre a minha luta, superação e resiliência. Foram dois anos de trabalho de escrita para recuperar memórias que já estavam guardadas muito profundamente, mas que pude vivenciar de outra maneira, com emoções diferentes. Resiliente, o nome do meu livro veio à tona e junto com ele criei a rede social @resiliente.ok com frases, reflexões e palestras que podem ser úteis para ajudar outras pessoas a se conhecerem e aprenderem ferramentas para superar as situações de desequilíbrio e estresse desta jornada que chamamos de vida.

Essa jornada linda às vezes é calma, mas às vezes tem obstáculos que nunca imaginamos que poderiam estar em nosso caminho. Mas, eles aparecem e fazem parte da vida.

É por isso que devemos ser gratos por mais um dia de vida e tudo o que ele nos traz. Agradeço tudo o que vivi e aprender a distinguir o que é “MAIS IMPORTANTE DO QUE O QUE É IMPORTANTE”: a perdoar os outros e a me perdoar para continuar crescendo e evoluindo, para ajudar aos outros e, acima de tudo, para ser eu mesma e amar quem eu sou, porque o melhor ainda está por vir.

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